Embora estatisticamente os homens tenham mais infartos que as mulheres, o público feminino precisa se preocupar com os riscos referentes à doença aterosclerótica coronariana (DAC), principalmente a partir dos 50 anos de idade, após a menopausa. O alerta é dado pelo médio cardiologista Daniel Horta Costa, diretor da Clínica Vitamed, que também orienta como se precaver e reconhecer os sintomas.

De acordo com o cardiologista, em relação aos homens, apenas 30% das mulheres infartam, e numa média de dez anos após a maior parte do sexo masculino. Entretanto, isso não é motivo para que as mulheres não se preocupem, pois, como ele enfatiza, “atualmente as mulheres estão mais expostas aos fatores de risco pelo tabagismo, obesidade, estresse, colesterol alto, hipertensão e diabetes”.

Horta destaca que além desse contexto, é preciso considerar que um dos fatores de risco para a mulher é também após a menopausa. Isso porque, conforme explica, durante o ciclo menstrual os hormônios femininos, especialmente o estrógeno, protegem o coração, e com a chegada da menopausa e a consequente baixa hormonal, a mulher fica mais exposta ao infarto. Um fator exclusivo da mulher, na probabilidade de infartar, se dá também pelo uso de anticoncepcionais, que aumenta o risco de doenças coronarianas.

O cardiologista observa também que o quadro clínico, indicando a possibilidade do infarte, pode ser diferente da mulher para o homem. Isso se deve porque, muitas vezes nas mulheres, os sintomas não são os mais conhecidos tradicionalmente, como a dor e pressão no peito com radiação para mandíbula, ombro e membro superior esquerdo, e normalmente acompanhado de suor frio e palidez. Na mulher, os sintomas muitas vezes se manifestam em forma de fadiga, falta de ar, náusea e dor de estômago. E até por tais sintomas não remeterem ao perigo de um infarte, as mulheres resistem mais até buscar atendimento médico. Nesse sentido, Horta também atenta que normalmente o homem procura ajuda médica mais rápido exatamente por ter uma mulher para alertá-lo, situação que dificilmente ocorre na forma inversa.

Entretanto, o cardiologista Horta destaca que não é por uma simples dor de estômago que a mulher deve se desesperar e correr para uma consulta com medo de infarte. Ele especifica que o cuidado nesse sentido deve existir sempre que se tratar de mal estar continuado, como, por exemplo, uma dor toráxica que comprometa as atividades habituais, uma vez que “dores normalmente associadas a esforço físico, sugerem fortemente doenças coronárias, devendo-se procurar cardiologista”, enfatiza o especialista. Esses sintomas também merecem atenção se o indivíduo também estiver dentro do contexto clínico dos fatores de risco.

Prevenção

Horta detalha que a prevenção pode ser feita com dietas alimentares, atividades físicas, e com uma vida mais regrada, no que inclui o controle das chamadas doenças de base como hipertensão, diabetes, colesterol alto e obesidade, além, é claro, de se evitar o tabagismo.

Porém, infartar não significa uma sentença de morte, isso porque como o infarto se caracteriza pela obstrução de uma artéria do coração, sua gravidade e possíveis sequelas vão depender do local e total de músculos atingidos, podendo, inclusive, não haver nenhuma sequela no funcionamento cardíaco. Porém, o tratamento, após o infarte, precisa ser contínuo, atenta o cardiologista.

 

Fonte: https://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/868205/coracao-feminino-precisa-de-cuidados